![]()
Um fato marcante foi o aprendizado e união muito grande. ...
Braz Aparecido Alves - KCC
.......................................................
Certificado de Registro e Classificação Cadastral (CRCC) - Cadastro Corporativo de Fornecedores de Bens e Serviços da PETROBRAS. [Leia mais]
Publicado por Antonio Fernando Pinheiro Pedro
Publicado em 26/07/2007
Não restam dúvidas que as duas últimas décadas do Séc. XX foram pródigas para a questão ambiental. Nesse contexto, as Normas de Qualidade Ambiental, que apareceram nos países do chamado Primeiro Mundo e pareciam ameaçar a competitividade de países em desenvolvimento como o Brasil, atualmente representam diferencial para as empresas que têm investido na defesa ambiental. A série ISO 14000 é um novo e importante meio para as empresas demonstrarem comprometimento com as questões ambientais.
Frente a um mercado que, cada vez mais, exige "qualidade ambiental" das atividades, produtos e serviços de uma organização, a implantação de um Sistema de Gestão Ambiental tornou-se variável que não pode ser ignorada na tomada de decisões das empresas.
Cássio Felippo Amaral, do Escritório Pinheiro Pedro Advogados, que administra os processos de Certificação do Sistema de Gestão Ambiental - NBR ISO 14001 constata que este é um processo que veio para ficar e é imprescindível para a competitividade das empresas. Ele lembra que a implantação de um programa de qualidade ambiental deve começar com a conscientização de toda a hierarquia da empresa. "Há que se ter o convencimento de que se trata de uma boa medida nos aspectos social, econômico e ambiental".
Um dos aspectos da norma que considera relevante é o dos "Requisitos Legais". Saber quais dispositivos legais se aplicam à empresa, ao ramo de atividade e às etapas do processo de produção, é uma tarefa bastante complexa e requer atenção especial, pois no Brasil existe uma dinâmica muito grande na produção de normas legais, explica o advogado.
O engenheiro Eduardo Licco, consultor e especialista na área de certificação ambiental, concorda e destaca que é preciso haver um acompanhamento permanente após a obtenção da certificação ambiental. Isso se justifica porque o sistema tem como pressuposto a melhoria contínua dos processos de produção e, assim, a vigilância deve ser constante.
Licco revela que uma empresa que implanta o SGA possui uma radiografia da sua realidade, conhece seus problemas e, o mais importante, sabe o caminho para resolvê-los. E isso é um diferencial no mundo competitivo de hoje. Existe um porém: quem entra neste circuito, na verdade, está entrando em uma teia que dissemina o sistema para todo o Planeta. Todos os dias são necessários novos ajustes e avanços. Interromper o processo é tão prejudicial quanto não entrar no circuito. Representa a derrota na competição comercial.
Cássio Felippo destaca que o processo de Certificação Ambiental no Brasil é recente, não tem nem uma década, e deve avançar muito ainda. Porém, já é possível observar que existem aspectos que precisam ser aperfeiçoados e corrigidos, para não haver o comprometimento da imagem da certificação.
Ele refere-se ao fato de instituições de certificação e/ou de auditoria ambiental prestarem também serviços de assessoria às empresas interessadas na implantação do SGA. "Isso torna a certificação muito suspeita. É o mesmo que uma empresa de auditoria contábil fazer a contabilidade para o cliente que irá auditar". Para ele, isso desacredita a certificação, além de ser um procedimento que vai contra os princípios éticos.
Comprometimento
Como escreveu Maurício Reis, no livro "ISO 14000 - Gerenciamento Ambiental: um novo desafio para a Competitividade", o gerenciamento ambiental é um conjunto de rotinas e procedimentos que permite a uma organização administrar adequadamente as relações entre suas atividades e o meio ambiente. É um compromisso com a qualidade, onde não basta parecer ou declarar-se comprometido. É necessário demonstrar que se está agindo de forma responsável e que se está procurando aprimoramentos consistentes e diretamente relacionados com as atividades da organização.
Sempre é oportuno registrar que ao empresário, hoje, estão reservados papéis muito mais complexos que aqueles exercidos no passado não muito distante, quando gerar empregos e atender às leis trabalhistas bastavam para colocá-lo no rol dos bons empregadores. Com os tempos modernos da globalização, a competitividade e sobrevivência no mercado impõem alguns fatores imprescindíveis: saneamento ambiental, responsabilidade social, saúde e segurança são alguns que revelam os compromissos com a ética e a cidadania corporativa.
Eduardo Licco, que durante muitos anos trabalhou na agência ambiental do Estado de São Paulo, a CETESB, destaca que os papéis de regulamentação e fiscalização ainda não podem ser abandonados. Embora sejam muitos os avanços na cultura empresarial, a gestão e a certificação ambiental ainda não são suficientes para a proteção ambiental no cenário industrial brasileiro.
Sobre a Norma, Eduardo Licco também apresenta um ponto que considera crítico e que precisa ser convenientemente avaliado por todos aqueles que atuam no processo de certificação ambiental: a comunicação. Para ele, esse aspecto não vem sendo adequadamente considerado, tanto pelas empresas certificadas, quanto pelas instituições de certificação e auditoria.
Nem sempre a empresa está suficientemente preparada para receber as reclamações e informar adequadamente que está agindo para melhorar aquela situação. E, ele alerta, "quando a comunicação com a comunidade, imprensa, autoridades, agência ambiental, organizações ambientalistas, não é bem feita, pode-se estar colocando em risco todo o trabalho, mesmo que ele seja sério e correto. Ou seja, não basta fazer, é preciso mostrar o que está sendo feito".

